Eu não aprendi a viver apenas com pessoas, livros ou experiências.
Aprendi também observando árvores, olhando montanhas, sentindo os quatro elementos da natureza: ar, fogo, água e a mãe terra. Caminhando no silêncio, vendo uma paisagem mudar completamente diante dos meus olhos onde a natureza se tornou minha escola da vida e de alguma maneira, também se tornou minha igreja. Não porque eu tenha encontrado nela respostas prontas, mas porque, diante dela, aprendi a fazer melhores perguntas.
A professora que nunca fala
Uma das coisas que mais amo na natureza é que ela não tenta convencer ninguém de nada, ela simplesmente acontece. A primavera chega, o verão expande, o outono solta, o inverno recolhe e depois tudo começa novamente de forma renovada.
Nenhuma árvore se desculpa por perder as folhas, como também nenhuma montanha tenta parecer menor porque outra é mais alta e as flores não questionam se deveria florescer naquele lugar.
A natureza não luta contra seus ciclos, ela confia neles!!
Talvez tenha sido essa uma das maiores lições que precisei aprender na minha própria vida. Durante muito tempo, eu quis controlar algumas situações das quais eu não tinha o menor controle e sinal era claro: desapegar, entregar, confiar no processo.
A natureza me ensinou o contrário: tudo tem o momento certo e age em silêncio!!
E reconhecer isso não significa desistir, significa compreender quando é hora de florescer, de expandir, recolher, de soltar e quando é hora de simplesmente descansar.
O outono me ensinou a soltar
Talvez nenhuma estação fale comigo tanto quanto o outono. Existe algo profundamente bonito em observar uma árvore se desprender daquilo que, durante meses, foi parte dela, as folhas mudam de cor, depois caem e a árvore permanece, ela não parece incompleta, parece preparada.
O outono me ensinou que nem tudo o que amamos precisa permanecer conosco para sempre: algumas pessoas, lugares, sonhos, certezas ou até mesmo algumas versões de nós mesmas.
Chega um momento em que precisamos abrir a mão e desapegar, não porque deixaram de ter valor, mas porque cumpriram seu ciclo.
Soltar também pode ser uma forma de amor!!
O inverno me ensinou sobre recolhimento
O inverno é ainda mais radical e ele não pede licença para desacelerar tudo, a paisagem fica silenciosa, as montanhas mudam de aparência, as árvores parecem adormecidas e algumas até que morreram e mesmo quando parece que nada está acontecendo, alguma coisa está acontecendo.
A vida está trabalhando em silêncio, isso me ensinou algo que precisei aprender muitas vezes: nem todo período de silêncio significa estagnação, as vezes, estamos apenas criando ou mesmo fortalecendo nossas raízes.
Vivemos em uma cultura que celebra movimento, produtividade e velocidade, mas a natureza não funciona assim e sabe a arte de esperar. Uma espera inteligente, estratégica de recolhimento com acolhimento, onde nos nutrimos de toda a sabedoria que habita dentro de nós.
A primavera não pede desculpas por recomeçar
Então chega a primavera e aquilo que parecia morto começa a despertar, pequenos milagres aparecem: uma flor, um broto, uma cor diferente, uma nova paisagem.
A primavera nunca pergunta se é tarde demais, ela simplesmente começa, talvez por isso eu goste tanto da ideia de recomeçar, porque recomeçar não significa voltar ao ponto onde estávamos, significa começar de outro lugar, carregando tudo o que aprendemos e a natureza faz isso o tempo inteiro.
Ela não volta, ela renova!!!
E o verão?
O verão me lembra de viver, de ocupar espaço, sair, caminhar, de sentir o sol na pele, de estar presente. Depois de tanto recolhimento e da alquimia da existe uma estação que simplesmente diz: agora é hora de viver e de expressar!!
Talvez essa seja uma das coisas que mais procuro hoje, não esperar pela vida perfeita para começar a desfrutar da vida real.
Minha igreja não tem paredes
Quanto mais vivo, mais percebo que não preciso entrar em um lugar específico para sentir reverência, as vezes, basta caminhar por uma montanha, sentar diante de uma paisagem, ouvir o vento, observar o céu mudar de cor, ficar alguns minutos em silêncio.
Foi assim que a natureza se tornou minha igreja, mas não uma igreja de respostas, mas de presença e ali, onde não tem cobranças, julgamentos, certo ou errado, pecado, hipocrisia, palavras ou discursos é o lugar sagrado onde eu realmente sinto Deus conversando comigo.
A montanha não se importa com meu currículo, o rio não quer saber das minhas conquistas, a árvore não exige que eu seja produtiva, a natureza simplesmente me recebe e talvez seja justamente por isso que consigo me escutar e sentir melhor a minha presença quando estou nela.
A ciência também começou a prestar atenção
O que eu sinto intuitivamente também encontrou eco na ciência. Pesquisas sobre forest bathing, ou banho de floresta, investigam os efeitos da imersão em ambientes naturais sobre o bem-estar. Uma revisão sistemática e meta-análise publicada em 2023 encontrou redução significativa em sintomas de ansiedade e depressão entre participantes expostos a práticas de banho de floresta.
Uma pesquisa mais recente, publicada em 2026, encontrou associações entre o Shinrin-yoku e reduções de frequência cardíaca e alguns indicadores de ansiedade e humor, embora os próprios pesquisadores ressaltem que a qualidade geral das evidências ainda exige cautela e que a prática deve ser entendida como complementar, não como tratamento isolado.
Mas, para mim, a natureza nunca precisou de um estudo para justificar sua importância, eu já sabia, meu corpo e respiração sabiam e claro, minha alma sabia.
Minha escola não entrega diploma
Talvez seja isso que mais amo na natureza, que ela ensina sem dar aula, mostra que crescer também significa deixar cair e descansar não é desistir, que silêncio não é vazio e ciclos terminam para que novos ciclos comecem e que algumas coisas precisam morrer para abrir espaço.
E que recomeçar não é uma exceção da vida é a própria natureza da vida.
Hoje, quando entro em uma trilha ou olho para uma montanha, tento não perguntar apenas: “O que significa isso que estou vendo?”
Pergunto: “O que isso está tentando me ensinar?”
Às vezes, a resposta é soltar, outras esperar, ou florescer e às vezes, simplesmente descansar, ou simplesmente contemplar.
“A riqueza que alcanço vem da Natureza, a fonte da minha inspiração.” — Claude Monet
Talvez seja por isso que eu continue recomeçando
Depois de tantos anos, tantas mudanças, tantos lugares e tantas versões de mim mesma, percebo que eu não esteja procurando um lugar definitivo para chegar, mas que estou aprendendo a caminhar com os ciclos.
A aceitar que haverá primaveras e invernos, expansões e recolhimentos, começos e finais, dias de sol e dias de tempestade e que nenhum deles define a minha história inteira. A natureza me ensinou que uma árvore não precisa florescer o ano inteiro para ser uma árvore.
E essa descoberta mudou a minha relação comigo mesma. Hoje, quando a vida me pede para recomeçar, tento não perguntar:
“Por que isso está acontecendo comigo?” Olho para a natureza e faço outra pergunta:
“Em que estação da minha vida estou agora?” Quem SOU agora? Talvez essa seja uma das perguntas mais bonitas que podemos aprender a fazer.
Porque, se existe uma coisa que a natureza nunca deixa de nos lembrar, é que nenhuma estação é permanente: tudo muda, tudo passa para que possa se transformar.
E, quando chega a hora… a vida encontra uma maneira de florescer novamente.
Praticante e instrutora de Yoga. Graduada pela Inner Peace Yoga School em Utah, EUA onde moro. Durante a pandemia criei o estúdio de YogaOmLine tornando as práticas acessível para todas às pessoas, em qualquer lugar do mundo com o diferencial que é sentir sua própria essência divina.