E esse tal de Chip da Beleza?

 

Que mulher não gostaria de um remédio milagroso que melhorasse o desejo sexual, aumentasse a massa magra, definisse os músculos e ainda por cima durasse um ano inteirinho? Esta é a promessa do tão famoso Chip da Beleza. No entanto, algumas coisas importantes devem ser levadas em consideração.

 

O que é?

O implante é, na verdade, um bastão contendo medicamentos colocado sob a pele do glúteo. Serve para liberar gradualmente algumas substâncias como a gestrinona, hormônio derivado da progesterona e com efeito androgênico. Em geral, a inserção é feita sob anestesia local, em consultório.

Para que serve?

A principal função dos medicamentos contidos nestes bastões é melhorar a massa magra, e alguns sintomas como diminuição do desejo sexual.

É o mesmo que Implante anticoncepcional de progesterona (Implanon)?

Não! O Chip da beleza nada tem a ver com o Implanon® (implante de etonogestrel). O Implanon® é  inserido sob a pele do braço. Tem o intuito de anticoncepção, e não possui relação alguma com alterações em massa muscular.

Quais os potenciais riscos à saúde?

Diferentemente do implante de etonogestrel, que é produzido por uma indústria farmacêutica multinacional, o “chip da beleza“ é produzido por um único laboratório. Para definir a quantidade de hormônio a ser colocado neste bastão, os profissionais solicitam exames e avaliam as queixas da cliente. Neste caso, não existem estudos específicos em grande escala para avaliar dose-efeito, já que os medicamentos inseridos são individualizados. E é justamente a falta de estudos, indicando 
as doses mínima e máxima de medicamentos como a gestrinona, que mais incomodam os críticos. Não há como se prever segurança e efeitos colaterais a longo prazo de forma consistente. Isto porque o produto não passou por todos os testes exigidos quando se produz algum medicamento em indústrias farmacêuticas.

Este medicamento é liberado pelas agências reguladoras?

A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia não aprova o uso da gestrinona ou de qualquer outro hormônio para pessoas que não apresentam deficiência dessas substâncias. É sempre bom lembrar que o Conselho Federal
 de Medicina proíbe o uso de hormônios por motivação estética. Desta forma,  os médicos que o fizerem estão sujeitos a advertência ou penalidades que incluem a suspensão do registro profissional.

Quais os possíveis efeitos colaterais?

Reações indesejáveis podem acontecer, como aumento da oleosidade da pele, rouquidão, mudanças no tom de voz, queda de cabelos,  aumento dos pelos e do clitóris. Se as doses forem muito altas, até riscos de eventos mais graves como infarto, derrame e alguns tipos de câncer.

 

Se há um consenso entre os profissionais de saúde é de que não existem soluções milagrosas. Nem também resultados a curto prazo.

Quem não segue uma dieta adequada e não pratica exercícios físicos regularmente dificilmente alcança o tão sonhado corpo perfeito. Sem uma vida regrada, não há medicamento que resolva. Mesmo recorrendo a hormônios.