Viver como saída de emergência

Transformando esse ciclo vicioso

Você já deve ter observado, ou até se identificado com o seguinte cenário (cada vez mais comum):

  • Já percebeu como as pessoas estão sempre à um passo de “pular fora” de relacionamentos, empregos, e qualquer jornada que envolva relações pessoais, riscos, etc?
  • A qualquer sinal de desconforto, de ameaça, a maioria das reações é correr para a “saída de emergência” mais próxima (confortável ou conhecida).

Arrisco dizer que muitas pessoas estão em relações e empregos com a “mão na maçaneta” desta porta, prestes a sair a qualquer momento sob o pretexto de “eu não preciso disto”.

O contexto

Em plena transformação digital, estamos sentindo cada vez com mais intensidade essa revolução.

Uma das consequências mais positivas dessa nova era é a agilidade que ela proporciona.

Não esperamos mais táxi, uber; eles vêm até nós e acompanhamos em tempo real seu trajeto. A conveniência e agilidade nunca estiveram tão presentes em nosso cotidiano.

E isso nos dá a sensação de ter todo o controle e poder nas mãos. Em alguns aspectos, realmente temos.

 

O mundo de hoje: VUCA – Volátil, Incerto, Complexo E Ambíguo

O fato é que as habilidades necessárias para lidar com essas complexidades não são as técnicas aprendidas ao longo dos anos “encaixotados” nos moldes tradicionais de educação.

E nesse processo, não sabemos mais esperar, lidar com críticas, etc.

 

Habilidades sociais e interação humana

As habilidades sutis, chamadas de habilidades sociais, passam a ser as mais decisivas para geração de resultados superlativos nos tempos atuais.

A explicação é do pesquisador David Deming, professor de Políticas Públicas, Educação e Economia na Universidade Harvard e autor de um estudo chamado:

  • A crescente importância de habilidades sociais no mercado de trabalho, publicado em maio de 2014.

Segundo Deming, “A interação social  se mostrou – ao menos até o momento – difícil de ser automatizada” e,  cada vez mais requisitada e necessária.

O Resultado No Mundo Corporativo

E como vocês devem ter percebido, o mundo corporativo não escapa disto.

Uma das consequências mais nocivas, é que em todo o mundo, 4 em cada 10 funcionários ainda não estão engajados.

Enquanto 60% dos funcionários a nível mundial são considerados engajados, os outros 40% são considerados neutros ou apresentam comportamentos contrários ao engajamento.

*Fonte: Pesquisa feita pela Aon Hewitt em 2016 no artigo “Tendências Globais de Engajamento”.

Isso resulta em menor produtividade, maior atrito e conflitos desnecessários, baixa performance, que aumenta o estresse e dá combustível para o círculo vicioso permanecer crescente.

O Resultado Na Sociedade

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o número de óbitos (suicídio) é significativamente maior que aqueles causados por homicídio:

  • 800 mil por ano, contra 470 mil.

A verdade é que, por uma deficiência no desenvolvimento dessas habilidades, buscamos recursos externos para compensar essa ausência, esse vazio.

Vazio que gera quase uma sensação de afogamento, onde cada final de semana é aquele impulso para pegar um pouquinho de ar e retomar à vida de sequências de “tsunamis”.

E Nós?

Enquanto isso, se observar ao seu redor vai notar uma sociedade doente.

Incapaz de lidar com situações e emoções que parecem tomar uma proporção avassaladora (daí os sintomas associados à ansiedade, neurose de angústia, conhecida como síndrome do pânico, etc).

Sintomas e consequências

Somado a isso, as exigências sociais para aparentar força, serenidade e “ good vibes ” torna isso quase um martírio, cada vez mais impossível de se atingir e suportar.

Confira se você se enquadra nos sintomas de neurose de angústia; dê uma rápida olhada nos sintomas:

  • Ansiedade e preocupação excessivas com relação a uma ampla gama de acontecimentos ou atividades que permanecem durante mais de seis meses;
  • Impossibilidade de controlar esse estado de constante preocupação;
  • Mal-estar clinicamente significativo ou deterioração social, no trabalho ou em outras áreas importantes da atividade do indivíduo;
  • Associação da ansiedade e da preocupação com três ou mais dos sintomas seguintes;
  • Inquietação ou impaciência;
  • Fadiga fácil;
  • Dificuldade para se concentrar ou para manter a mente relaxada;
  • Irritabilidade;
  • Tensão muscular;
  • Alterações do sono;

Fonte: http://www.saude.com.br/site/doencas.asp?cod_doenca=124

E aí? Se identificou? Calma que tem mais coisa para refletir a respeito:

 

E agora, o que faço com isso?

E antes que você crie uma expectativa para uma pílula mágica ao final deste artigo (correríamos o mesmo equívoco do parágrafo acima, certo?).

Gostaria de adiantar que não tenho as respostas prontas, mas tenho sim, várias dicas para mudar enquanto é tempo !!

Se você já adoeceu, essa pausa é essencial para não agravar ainda mais tudo isso.

Mas não se culpe, se você se viu nessa situação, está dentro das estatísticas e de uma geração que não recebeu educação sócio-emocional, assim como eu.

Mas também não precisa usar isso como desculpa para continuar vivendo dessa forma.

Eu tive o privilégio de aprender, estudar, me conhecer e dedicar uma vida toda profissional a isso – só para constar, ainda estou longe de ter todas as respostas.

  • Então meu compromisso é dividir isso com vocês. 🙂

Antes de falarmos das habilidades sociais, é necessário compreender alguns fatores cruciais:

 Fatores Cruciais

  • O primeiro entendimento que se faz necessário é o de que não há solução externa capaz de preencher essas lacunas. Ou seja, pare de buscar em compras, bebidas, comida, etc

Todos os fatores que impulsionam o que se chama de esteira hedônica:

  • Faz com que se deposite cada vez mais energia na busca por prazeres imediatos de forma compulsiva, o que gera apenas mais necessidade dos mesmos.

Nem precisaria de pesquisa. Sabemos que a alegria de uma compra dura até o momento que ela passa a ter um local fixo no armário.

Tenha clareza e convicção de que o cérebro não é uma estrutura rígida, ou seja, todas essas competências podem ser desenvolvidas ao longo da vida, graças aos estudos da neurociência.

A Neuroplasticidade chegou para mostrar que o cérebro pode ser regenerado através do uso e do reforço.

Uma vez que você se decida por experimentar novos comportamentos, por mais desafiador que seja em um primeiro momento.

  • É apenas uma questão de dedicação e energia para praticar esses novos comportamentos até que se estabeleçam como um componente de um novo estilo emocional.
  • Foque no autodesenvolvimento. Hoje o que não falta são recursos para ajudar nessa descoberta, desde leituras fantásticas para ampliar a consciência, até profissionais de coaching, terapias, cursos, vivências, espiritualidade, etc.

Todas as pesquisas do mundo corporativo de alguma forma mencionam a necessidade de se desenvolver as habilidades sociais, mas não há um caminho garantido. Você precisa encontrar o seu.

O fato é que se você não experimentar e mantiver as verdades absolutas que impedem a mente de conhecer novas direções, você vai manter o mesmo “mindset” que te trouxe até aqui.

Cá entre nós, vimos por A mais B nas linhas acima que não é mais o caminho que nos levará ao sucesso.

 

Habilidades Sociais

Falamos tanto delas, vamos entender melhor quais são:

  • habilidades assertivas: saber se manifestar com equilíbrio, reconhecer erros e lidar com críticas.
  • habilidades comunicativas: saber como começar conversas, responder perguntas e elogiar os demais.
  • habilidades empáticas: saber se colocar no lugar do outro, reconhecer seus sentimentos e necessidades.
  • habilidades de sentimento positivo: saber ser solidário e criar vínculos de amizade e gratidão.
  • habilidades de civilidade: saber agradecer, apresentar-se e despedir-se.
  • habilidades de trabalho: saber falar em público, solucionar problemas, tomar decisões e gerenciar equipes.

 

Auto-Avaliação

A sugestão é fazer um pequeno teste.

1) De zero a dez, que nota você se dá para cada uma dessas habilidades.

2) Após dar as notas, escreva ao lado: quais são as evidências objetivas que validam essa nota que você se deu. Assim você pode evitar distorcer sua percepção sobre si em relação ao mundo.

3) Faça uma reflexão coerente sobre quais atitudes podem ser modificadas imediatamente para melhorar esses resultados.

O fato é que, não é possível sentir toda a alegria, a plenitude (responsável por geração de alta performance, equilíbrio e felicidade), se não confrontar verdadeiramente com as emoções “negativas”.

 

Praticar o que se fala

É necessário aceitar e aprender a lidar com o erro. É preciso parar de avaliar o quanto você sabe para compreender o que de fato você aplica daquilo que sabe.

Quer ver um breve exemplo?

As pessoas vibram, clamam por atitudes nobres. Mas…e se eu digo que quero ser uma pessoa melhor para meu filho, mas brigo no trânsito na frente dele?

E se faço discursos sobre respeito, mas basta um comentário em rede social divergente das suas convicções que já é motivo para ofender, bloquear ou crucificar as pessoas.

Será que o respeito que eu tanto verbalizo está materializado nas minhas ações de fato?

Ou, estou inconscientemente vivendo uma hipocrisia comportamental? Como essa incongruência se dá em sua vida hoje?

Faça uma análise sincera e verdadeira sobre o que você pensa X o que você faz. E perceberá que dá para se aprofundar nas relações, se o olhar for menos para o outro e mais para si.

Será que é possível mudar?

Se você aí tem dúvidas, será que é possível fazer essa mudança? Devolvo com outra pergunta:

  • Você sabe o que é escala pentatônica? Eu não sabia.

Esse músico extraordinário, Bob McFerrin, em pleno Festival Mundial da Ciência, vem e explica de forma simples e lúdica, que se permitirmos fluir, fica fácil aprender.

É natural, basta vivenciar essa mudança.

Parar de se cobrar tanto – sem permitir a complacência – verá que as coisas vêm na medida exata para nosso desenvolvimento:

 

 

 

 

Estou aqui escrevendo isso e percebi que tinha prometido que dormiria cedo. Já passa de meia noite e estou aqui, com vocês.

Mas ao contrário de me sentir culpada, encerro esse artigo percebendo que mesmo no processo de desenvolvimento, não vamos acertar sempre.

No entanto, se estivermos mergulhados em nosso propósito, naquilo que faz nosso coração vibrar, ainda sim, a culpa se transforma em estímulo, para amanhã fazer melhor.

Então, prometo para vocês dormir mais cedo amanhã. Mas hoje…aahh, hoje eu precisava dividir isso com vocês. 🙂

Vamos juntos?

 

*Se quiserem acompanhar mais, é só seguir o instagram @mp_sync 😉

 

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